quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Uninvited

A serviçal correu esbaforida até a porta principal, ajeitando-se discretamente antes de atender às insistentes batidas que pareciam querer derrubar a casa inteira. O barão e a baronesa lançaram-lhe olhares irritadiços e urgentes quando ela passou por eles, e não apenas os donos da casa pareciam intrigados com a violência dos visitantes, como todos os convidados trocavam olhares significativos e murmuravam horrorizados com a deselegância dos recém chegados.

- Pois não, senhores? – ela questionou, contendo um certo assombro ao ver as cinco figuras envoltas em luxuosos mantos vermelhos nas escadarias do palacete – O senhor barão está dando uma festa no momento, os senhores teriam algum assunto...

A mulher não teve tempo de terminar sua frase antes de cair de joelhos no chão, seu ventre fulminado por uma rajada de luz branca e brilhante que saíra das palmas da mão do cavaleiro mais próximo da porta. Os homens adentraram a mansão, retirando de debaixo dos mantos longas espadas de prata abençoada, alguns se ajoelhando por um instante, outros apenas cantarolando louvores a uma Unidade que lembrava vagamente a Deus, mas que ainda assim, aterrorizou os corações Adormecidos. Aquele que estava em meio aos cinco esticou um pouco mais os lábios já finos e pálidos ao encontrar à senhora Assiath entre os presentes. Os pequenos olhos verdes, gélidos como a morte, pareciam atravessá-la em busca da sua alma, enquanto os pés protegidos por uma armadura pesada adiantavam-se para ela em uma súbita necessidade.

- Tu, mulher! Onde está a bruxa da tua filha? – o homem questionou com a voz rouca e inexpressiva, exalando um odor forte de enxofre enquanto vomitava suas palavras.

- B-Bruxa...? – a baronesa balbuciou, incapaz de desviar os olhos das fendas serpentinas que a hipnotizavam.

O homem estreitou mais os olhos, fitando à senhora como se pudesse trucidá-la apenas com a sua vontade. A mulher permaneceu amedrontada até o momento em que sentiu o ar faltar-lhe, pela pressão de uma mão invisível em seu pescoço.

- Isto é uma festa, não é mesmo? – ele disse, segurando-a pelo braço e arremessando-a impiedosamente ao chão, avançando sobre ela em seguida – Vamos nos divertir enquanto tua pequena travessa não retorna...

- Parem – implorou o barão, que olhava impotente para as espadas flamejantes que aqueles estranhos homens empunhavam – O que querem com Sahira? O que fez minha filha?

- Sahira... – o cavaleiro espalmou a mão sobre o peito de Leniath, segurando-a firmemente no chão enquanto fitava o marido dela – Então este é o nome da pequena? Tudo ficou mais fácil agora... Matem-no!

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